Arte bruta

É impossível compreender a noção de Arte Bruta sem se interessar pela genealogia da ideia que lhe deu origem: primeiro a teoria aristotélica segundo a qual o génio e a loucura são estados indissociáveis, depois, no princípio do século XX, a consciência das culturas estrangeiras ao ocidente, a revolução da arte moderna e a exploração do inconsciente.

Eis, em resumo, as razões que nos permitiram encarar este tipo de produções, para as  quais a cultura académica não nos tinha preparado.

Mesmo o termo de Arte Bruta, inventado por Jean Dubuffet em 1945, designa as criações produzidas por personagens cuja alteridade social e mental os extrai, por vezes totalmente, das correntes dominantes da cultura.

A arte dos loucos, dos médiums, das personalidades extraordinárias, animados por uma “febre” criadora.

Estes artistas, que não se consideram como tal, transgridem as normas da arte estabelecida, sem preocupações de difusão ou comerciais, e, na maior parte das vezes, escondem-se para criar.

Criam como respiram, construindo um mundo sem medida, como se quisessem se religar ao universo para testemunhar o mistério da vida terrestre. Resumindo, recomeçar a génese da arte e a sua metafísica.

A Arte Bruta faz agora parte das coleções dos maiores museus do mundo, desde o MoMa, ao Centro Pompidou, ou à Tate Modern, e surge, pela primeira vez na sua história, na Bienal de Veneza, gerando numerosa bibliografia, colóquios e palestras.

Este movimento artístico tornou-se, no começo do século XXl, a vertente mais vivificante da arte, desregulando as bússolas, ensinando-nos a fugir dos dogmatismos e forçando-nos mesmo a uma revolução corajosa, mas saudável: reescrever a Historia da Arte.

 

Christian Berst