In and Out of Africa

Curador: António Saint Silvestre

De 7 de outubro de 2017 até 8 de abril de 2018

Núcleo de Arte da Oliva Creative Factory

 

 

Somos todos “negros” mesmo se muitos nunca o souberam, ou já se esqueceram.
A África foi o berço da Humanidade, que partiu à conquista do planeta e, segundo o clima, a alimentação e mais outros elementos que desconheço, a pele humana passou do negro azulado ao castanho-escuro, claro, bege, bege avermelhado, amarelo, vários tons de creme e creme rosado, dito branco.
Quando a África se tornou no supermercado da Europa, que começou a servir-se não só das mercadorias como transformou os africanos em mercadorias que foram exportadas por esse mundo fora, sobretudo para as Américas, o homem “preto” perdeu nos olhos do homem “branco” a sua essência humana.
Este péssimo costume de vender pessoas como animais, sempre foi infelizmente o apanágio da raça humana, sem distinção de cores, mas nos últimos séculos foi decidido que os tons mais sombrios seriam menos valiosos, ignorando a imensidade de cientistas, escritores, poetas, desportistas, cantores e afins que as cores mais escuras da paleta ofereceram ao mundo. Não há raças mas tipos humanos, todos com as mesmas capacidades, os mesmos defeitos, os mesmos talentos e os mesmos direitos.
A África é um aglomerado de povos díspares, tão diferentes uns dos outros como os Suecos dos Italianos e os Russos dos Portugueses.
Mas a vasta criação artística de norte a sul é de uma imensa riqueza, como provam as pinturas rupestres do Zimbabué, as esculturas em terracota do povo Nok e Djenné, os objetos de Ife, os maravilhosos bronzes Igbo Ikwu e do reino do Benim.
E não só; tudo é arte e criação como as colheres de pau, as portas das casas, os objetos rituais, as máscaras tradicionais que inspiraram os artistas da “Arte Moderna”, sobretudo o maior de entre eles, Pablo Picasso.
Mesmo fora da arte dita “nobre”, a reutilização de objetos da vida corrente como latas de soda, sacos de plástico, escovas de dentes, bombas de aerossol e muitos outros, são transformados em ”masterpieces“ pela força motriz da criatividade.
Tudo é pretexto para arte.
Tal como igualmente os meios mais convencionais e comuns a qualquer artista, como o lápis, o papel, as tintas e as telas.
Artistas africanos, “In and Out of Africa” e outros misturados provam que a cor da pele é um detalhe sem importância, não só nas qualidades gerais mas igualmente na força da criação artística. É o que vamos provar com a apresentação desta exposição baseada nas obras da colecção Treger/Saint Silvestre.
Os artistas “in “ serão sobretudo contemporâneos, mesmo se marcados por uma certa onda “outsider “, os artistas “out” pertencem sobretudo ao mundo da “ Arte Bruta”.

 

 

Artistas In: Anonymous Angolan Artist, Ardmore Ceramic Art (Sfiso Myelase, Sabelo Khoza e Mickey Chonco), Aston (Serge Mikpon), Franck Lundangi, Colbert Mashile, Ezekiel Messou, Joël Mpah Dooh, Sam Nhlengethwa, Dexter Nyamainasche, Gérard Quenum, Moffat Takadiwa

 

Artistas Out: Gabriel Bien Aimé, Raimundo Camillo, José Castillo, Jesus Christyano, Mamadou Cissé, Thornton Dial, Donovan Durham, Misleidys Francisca Castillo Pedroso, Ted Gordon, Hassan, William Hawkins, John Henry Toney, Serge Jolimeau, Daldo Marte, Donald Mitchell, Camille-Jean Nasson, Marilena Pelosi, Royal Robertson, Lionel Saint Eloï, Welmon Sharlhorne, Hnery Speller, Mary Tillman Smith, José Teófilo Resende, Mose Ernest Tolliver, Victor Ulloa, Ray Vickers, Melvin Way, Wesley Willis

 

 

Fotografia: Dinis Santos